domingo, 18 de outubro de 2009

Extras - 12

Olá, meu amados guardinianos! (termo criado pela Laís-chan rs).
Enquanto as partes finais de Guardians não saem, trago mais um extra pra vocês. Espero que continuem me perdoando pela demora nas postagens (como já expliquei, estou aguardando a Shermmiechan concluir os desenhos pendentes, mas ela anda com a vida corrida e pouco tempo livre pra se dedicar a isso) e que não abandonem Guardians, por favor! rs... Prometo que a história será finalizada... E, quem sabe, ainda vem por aí uma continuação para 2010 =)

Enquanto isso, vocês podem ir curtindo minha outra fic, Kuroi Crystal. =)

E aqui vai um agradecimento especial para minha querida Bibi-chan, que fez uma betagem-relâmpago antes da postagem. Esse extra vai especialmente para os fãs do casal Shermmie&Sniper (que, segundo a enquete da comunidade, é o mais querido pelos leitores! ^^)

Espero que curtam. Beijos!


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Conselhos femininos

Ela mal abriu a porta e já foi praticamente atropelada por aquele que adentrava o seu apartamento de forma aflita.
-Boa tarde, Miss Maire. Desculpe vir sem avisar.
A ruiva pensou em retrucar o “boa tarde”, informando que ainda eram sete da manhã (de um domingo, aliás). Porém, vendo o nervosismo estampado no rosto de Sniper, deixou isso de lado e apenas perguntou, enquanto ajeitava o roupão que cobria suas vestes de dormir:
-Aconteceu alguma coisa?
Olhando-a nos olhos, Sniper respirou fundo, antes de dizer:
-Você é minha última esperança. Vim pedir os seus conselhos.
Percebendo que, qualquer que fosse a situação, parecia algo bem grave, Maire pediu para que Sniper se sentasse no sofá. Em seguida sentou-se ao seu lado e pediu:
-Conte-me o que aconteceu. Algo com a Shermmie?
-Ela me abandonou! – Ele disse, num fôlego só.
Maire ficou surpresa com a declaração.
-Shermmie te abandonou?
-Ela voltou para o Brasil. – Ele levantou-se e começou a caminhar de um lado a outro na sala do apartamento, enquanto gesticulava de forma nervosa – Eu pedi para que ela ficasse, mas ela me ignorou! Numa atitude egoísta ela desprezou todos os meus sentimentos, e correu como uma louca para o país dela, pouco se importando comigo!
-Mas por que ela fez isso?
-Por uma bobagem!
-Que bobagem?
Ele ficou em silêncio por um instante. Voltou a se sentar e, após um longo suspiro, respondeu:
-Porque o pai ligou, dizendo que a mãe dela estava doente. u.u
Maire também suspirou, incrédula.
-E você chama isso de “bobagem”?
-Certo ¬¬... Já percebi que fui um idiota por querer que ela escolhesse entre a mãe dela e eu.
-Um pouco imaturo também. – Maire completou.
-Eu entendi, miss Maire ¬¬’ Ouça, não quero que ela deixe a mãe pra lá e volte imediatamente pro Japão. Eu só quero que... Sabe... que a gente faça as pazes.
-Isso é simples: é só pedir desculpas. Existem diversas formas de se fazer isso.
-Eu já tentei, miss Maire! De inúmeras maneiras. Ouça, você não é a primeira pessoa que eu procuro para pedir conselhos. Antes, eu procurei por outras opiniões femininas.

-Que malvado você é, Sniper! ;____; Deveria ter apoiado a Shermmie-chan nesse momento, e não brigado com ela! ;___;
-Miss Anne, não te procurei para ouvir mais broncas ¬¬’ Você é a melhor amiga da Shermmie, e...
-Eu sou? *__*
-Well, acho que sim O.o...
-Ela te disse isso? *__*
-Eu que deduzi. E não foi difícil. Ela não tem amigas suficientes para preencher um pódio, então creio que o primeiro lugar deve ser seu mesmo.
-Por pura falta de opção? ;____;
-Miss Anne, eu não te convidei pra almoçar comigo para discutirmos os seus problemas, e sim os MEUS! ¬¬ Shermmie acha que sou um egoísta, percebe o absurdo disso?
Anne abriu a boca para tentar dizer que sua amiga tinha todas as razões para achar isso, mas foi interrompida pelo garçom que se aproximou para perguntar sobre os pedidos. Após decidir pela loira e pedir que lhes trouxesse dois copos de água, Sniper prosseguiu:
-Ela não pode terminar comigo dessa forma, miss Anne! Please, dê-me uma luz! O que eu posso fazer para reconquistá-la?
Anne pensou por um momento.
-Bem... Uma coisa que toda mulher admira é um homem sensível e romântico. Procure alguma forma delicada de se desculpar.
-Tipo?
-Que tal flores? Toda mulher gosta de flores! ^-^
-Não estou certo de que Shermmie goste de flores O.o
-Hm... Bombons, então? ^-^ Para não errar, mande flores e bombons! Um buquê bem grande e chocolates finos.
-Mas isso vai sair muito caro O.o...
-Melhor ainda. Assim ela se sentirá importante, sabendo que você não mediu esforços nem fez economias pelo amor dela! ^__^

-Não sei onde eu estava com a cabeça para seguir os conselhos da miss Anne ¬¬
-Como assim? – Indagou Maire – Você fez isso e, ainda assim, ela não te perdoou?
-Perdão? ¬¬ Hunf... Fiz tudo direitinho! Miss Anne me deu o telefone de uma loja chique no Brasil que fazia esse tipo de entregas. Fiz o pedido, depositei o pagamento e ainda gastei uma grana na conta telefônica com o interurbano. E sabe o que aconteceu? Uma semana depois recebi uma encomenda do Brasil: uma caixa. Dentro dela, estavam as flores destruídas e a caixa de bombons, intacta! ¬¬’ Ah, e o recibo estava todo rasgado u.u
-Que recibo? O.o
-O da compra, oras! Pedi para que entregassem a ela juntamente com as flores e os bombons u.u
-Por que pediu isso? O.o
-Para ela saber o quanto gastei com ela! Ò_ó
-Sniper... Isso não foi nada delicado O.o
-Como não? u.u... Nas entrelinhas, eu quis dizer: “veja como você é importante para mim. Tanto que gasto a maior grana só para tentar te reconquistar”.
-Na verdade, quis dizer: “Acho que você tem um preço, de forma que eu facilmente posso te comprar de volta.”
-Really? O.o... Vocês mulheres têm uma forma muito distorcida de ler as entrelinhas u.u
Maire riu. Apesar de trágica, a situação não deixava de ser cômica.
-E o que mais você tentou?
-Well, depois disso, resolvi procurar por outra opinião. E fui à casa de miss Kari.

-Dá pra parar de rir da minha cara? ¬¬
-Que idiota você é, Sniper-kun! – Comentou Hikari, tentando controlar o riso.
Sentado numa poltrona diante do sofá onde a mestiça estava, Sniper retrucou:
-Vai ficar rindo da minha cara ou vai tentar me ajudar? ¬¬
-Foi seguir os conselhos da minha irmã e se deu mal. Devia ter vindo falar comigo desde o início. Mulheres não querem flores e bombons. Elas querem um homem que tenha iniciativa.
-Mas eu tive a iniciativa de mandar flores e bombons pra ela. Não conta? O.o
-Mandar entregar é atestado de covardia. Mulheres querem homens corajosos, que dizem o que pensam, na lata! Nada de mandar recado!
-Então acha que eu deveria falar diretamente com ela e dizer como eu me sinto? O.o
-Exatamente! E seja firme! Mostre que você é um homem e que sabe o que quer. Mulheres gostam disso!

-E então? Você tentou isso?
-Tentei ¬¬’ Assim que voltei pra casa, peguei o telefone e liguei pro Brasil. Quando ela atendeu, disse tudo o que eu sentia!
-E ela?
-Desligou na minha cara ¬¬
-E o que você disse, exatamente? O.o
-Falei que queria que ela voltasse, que já estava começando a me cansar disso tudo. Que sou um homem e que ela precisa aprender a me respeitar! Ò_ó
Maire deixou uma grande gota escorrer.
-Não acredito que você disse isso.
-Mas miss Kari me disse que mulheres gostam de homens com iniciativa e que mostram quem é que manda u.u
-E você acredita nas palavras de uma mulher que gosta de um homem como Qiang Li? u.u
-Nem pensei nesse detalhe u.u
Soltando um suspiro, Maire indagou:
-E além delas duas, tentou pedir conselhos com mais alguém?
-Oh, claro! Dessa vez, procurei por uma pessoa mais experiente...

No porão de sua casa, ela ouvia toda a história ao mesmo tempo em que preenchia caixas de papelão com objetos que levaria em uma mudança. Após o final do relato, apenas um comentário foi feito:
-Isso foi péssimo de sua parte.
-Qual ponto, exatamente? O.o
-Todos.
-u.u... Ouça, miss Gautier, não vim aqui para ser julgado. Apenas queria o conselho de uma mulher mais velha.
-Ela foi para casa cuidar da mãe doente. Você deveria apoiá-la e não condená-la.
-Essa tal “doença” nada mais é do que uma gripezinha ¬¬ Ela só está fazendo drama para ter a filhinha ao lado dela.
-E você acha que Shermmie não sabe disso? Ainda assim, ela entende que a mãe a quer ao seu lado enquanto durar essa “gripezinha”. Você também tem mãe, Sniper. Tente entender.
-Mas a minha mãe não é chata que nem a dela ¬¬’
Parando o que fazia, Sofie olhou para Sniper, de forma séria.
-Não é desse jeito que você vai conquistá-la. Para uma mulher, homens que não dão valor à família não são um bom partido.

-E aí? O que você fez? – Indagou Maire, ao final do relato.
-Dei uma de bom genro, ligando pra sogrinha, perguntando como ela estava e desejando melhoras.
-Muito bem! – A libriana vibrou, pensando que, enfim, o inglês tinha dado um passo certo – Aposto que ganhou uns pontinhos com isso! ^-^
-Não exatamente u.u. A conversa tava muito boa e amigável, até eu tentar bancar o compreensivo e comentar que entendia o lado dela, que ela só exagerava nas doenças e fazia aquele drama todo para ter a filha ao seu lado por amor. E isso não a deixava enxergar que atrapalhava a vida da Shermmie, mas isso é perfeitamente aceitável para uma mãe.
-Você disse isso? O.o
-É. E só por isso a mulher começou a chorar u.u... Aí a Sher pegou o telefone dela e gritou: “O que você falou com a minha mãe, seu imbecil?” u.u”
-E você ao menos conseguiu se explicar?
-Não. Ela desligou na minha cara... De novo u.u
-Certo. ...E então, você veio me procurar...
-Oh, no! Antes, eu ainda procurei por outra pessoa...

-LIVE! Ò_ó... cof, cof, cof... Pára de sacudir esse incenso na minha cabeça! Ò_ó
-É para limpar a sua aura. Está suja, muito suja! Ò_ó
Cruzando os braços, Sniper deixou-se cair sentado no chão gramado do parque ambiental onde havia marcado de se encontrar com a garota e, emburrado, esbravejou:
-Não sei porque perdi meu tempo tentando pedir conselhos para uma criança louca. ¬¬
-Eu não sou louca! ¬¬ - Rebateu a indiana – E o fato de ser ADOLESCENTE (e não criança ¬¬) não me torna menos entendedora de relacionamentos afetivos.
-Ah, é?! ¬¬’ Então me diga, espertinha, o que devo fazer para consertar a situação?
Live sentou-se no chão, diante de Sniper. Ainda sacudindo seu incenso, respondeu:
-Precisa trabalhar sua sensibilidade.
-Miss Anne já me disse isso ¬¬ E foi um péssimo conselho!
-Não estou falando de mandar flores. Digo sensibilidade no sentido de perceber as coisas. Meninas gostam de meninos que reparam nelas, tanto seu exterior quanto (principalmente) o interior.
-Eu sempre reparo u.u Mais no exterior, é verdade O.o
-Sério? Então, o que achou do último corte de cabelo dela?
-Ela cortou o cabelo? O_O
-Há um ano ¬¬’
-Talvez isso tenha me passado despercebido u.u Enfim, eu preciso de um conselho! O que devo fazer?
-Escreva para ela. E diga porque ela é importante pra você e as coisas que mais gosta nela.
-Hm... Pode ser uma boa idéia O.o... E pára de sacudir esse incenso na minha cara! ¬¬

-Oh! – Maire vibrou, orgulhosa – Live é tão jovem, mas tão sábia! ^_^
-Mas a idéia dela não deu nada certo ¬¬ Mandei um e-mail pra Sher, mas não adiantou nadinha!
-E o que você escreveu, exatamente?
-Aqui, trouxe uma cópia impressa pra você ler.
Sniper tirou do bolso um papel dobrado e o entregou a Maire. Esta o desdobrou e arregalou os olhos, surpresa com o que começou a ler:
-“Querida Shermmie. Antes de te conhecer, eu achava que jamais encontraria alguém que me amasse mais do que eu me amo...” O.o... “Das coisas que mais admiro em você, a maior delas é o seu bom gosto...” o.O... “Trago sempre uma foto nossa na carteira. Aquela em que estou com um sorriso bonitão...” – Ela parou de ler e olhou para o amigo – Mas aqui você só fala de você mesmo! ...Imagino qual tenha sido a resposta dela!
-Está no verso da folha, pode olhar.
Maire virou o papel e leu a resposta, de apenas uma palavra:
-“Morra!” ...É, imaginei algo do tipo ^^”
Indignado, o rapaz tornou a se levantar e reclamou:
-Nunca vou entender a mente feminina! A única conclusão que consegui chegar é que todas vocês tem uma lésbica dentro de si!
Maire piscou, confusa.
-Como assim?
-Oras... Procuram homens que sejam românticos, sensíveis, corajosos, sinceros... Dêem muito valor à família, o que deve incluir gostar de crianças, cachorros e gatos, e reparem em detalhes mínimos como se mudaram a cor do esmalte ou dos cabelos ¬¬’ ...Em resumo: vocês procuram uma mulher! Ò_ó
-Não procuramos uma mulher! – Rebateu Maire. Contudo, ao notar o olhar que Sniper lhe lançou nesse momento, reformulou sua frase – Certo... Nem todas procuramos uma mulher u.u... Queremos uma pessoa que nos complete e nos entenda.
-E é possível entender vocês? ¬¬
Soltando um suspiro desanimado, Maire deixou a pergunta de lado e foi direto ao ponto:
-Sniper, se quer mesmo um conselho meu, eu acho que deveria...
Mas o inglês a interrompeu ao ouvir um som vindo do corredor:
-Que barulho é esse? O.o
-Ah, deve ser Mic saindo do quarto.
-E não terá problemas se ela me encontrar aqui? O.o
Maire tomou fôlego para responder, mas não deu tempo, pois Micaela logo chegou à sala. Olhou para Sniper e o cumprimentou brevemente.
-Bom dia.
E ia seguir para a cozinha, quando o inglês a deteve:
-Escute, miss Mic, não é nada disso que você está pensando! O_O
Micaela parou e o olhou.
-Eu estava pensando se ainda tinha leite integral na geladeira.
-Oh, no! Falo em relação a miss Maire e eu!
-Eu não pensei em nada com relação a vocês dois. ...A ela, talvez, mas definitivamente, não a você.
-O.o... Não ficou preocupada em me ver aqui tão cedo conversando com ela?
Micaela o analisou de baixo a cima e enfim deu a resposta:
-Não.
-Qual é? Não fica nem um pouco cismada ou enciumada ao encontrar um cara bonitão como eu conversando a sós com sua namorada?
Novamente, Micaela o olhou de baixo a cima e soltou um leve riso.
-Fala sério! – Foi todo o comentário que ela fez, antes de seguir tranquilamente para a cozinha.
Incrédulo, Sniper voltou-se para Maire:
-Mas qual é a dela, hein?! ¬¬ Achei que fosse ultra-ciumenta!
-E é. Mas na certa sabe que não tem motivos pra ter ciúmes de um cara como você. ^^
-O que quer dizer com isso, miss Maire? ¬¬’
-Er... Esqueça! ^^” Voltando ao seu problema, acho que a primeira coisa que tem que fazer para ser perdoado é realmente se arrepender de sua conduta.
Sentando-se novamente, Sniper desabafou:
-Isso é difícil. Não posso evitar me sentir trocado. Ela voltou pro Brasil de repente, sem ao menos se importar com os meus sentimentos. Foi egoísmo da parte dela.
-Trocado? – Maire sorriu levemente – Sniper, ela não foi para o Brasil atrás de outro homem, foi ver a mãe dela que estava doente. Ela te deixou aqui com saúde e com a certeza de que ela logo iria voltar. Reflita sobre quem está sendo egoísta nessa situação.
Ele fez bico.
-É... Talvez você tenha razão. TALVEZ.
Maire prosseguiu:
-Não dá pra escolher alguém entre pessoas que estejam em posições diferentes.
-Olha quem fala. – Ele retrucou – Sei que teve que optar entre miss Mic e seus pais.
Ainda sorrindo de forma compreensiva, Maire explicou:
-E sabe por que fiquei com a Mic? Porque ela não me fez escolher. Mas se você continuar nutrindo esses ciúmes e essa insegurança e quiser sempre que ela escolha entre você e a família, ou os amigos, ou a vida profissional dela, o que seja, pode ter certeza de que vai sair perdendo.
Por alguns segundos, o inglês ficou em silêncio, refletindo sobre aquelas palavras. Quando finalmente falou algo, foi numa forma de disfarçar o fato de que havia concordado com tudo o que lhe foi dito:
-Eu não sou inseguro. Sou o cara! E sempre conquistei fácil qualquer mulher que eu quisesse.
-Só que você só quer uma. E ela não foi tão fácil assim de ser conquistada, não é?! Então, não a perca!
Sniper também sorriu, agradecido.
-Mas o que eu faço, miss Maire? Preciso que ela me perdoe, senão corro o risco de perdê-la pra sempre.
-O que você faz? – Ela pensou por um instante – Hm... Não sei. O que você acha, Mic?
Ela olhou para a direção da porta que levava à cozinha e Sniper seguiu os olhos na mesma direção. Só então viu que Micaela estava ali, apoiada à parede e com um copo de leite na mão. Há quanto tempo estaria acompanhando a conversa?
-O que eu acho? – A loira olhou para Sniper – Acho que deveria agir como um homem.
Ele sentiu-se ofendido com a resposta. Tanto que levantou-se, indignado.
-Tá dizendo que não sou um homem? Ò_ó
-Estou dizendo que está agindo como uma criança. Nenhuma mulher gosta de um cara que fica pedindo opiniões sobre coisas que ele deveria ter maturidade suficiente para resolver sozinho. Vira homem e vai atrás da sua garota!
Dito isso, ela calmamente deu meia-volta e retornou para a cozinha. Sniper piscou e olhou para Maire, incrédulo. A ruiva riu e comentou:
-Acho que o conselho dela foi bem melhor do que eu tinha em mente.
O inglês pensou por um instante sobre as palavras ditas por Micaela. Por fim, concluiu:
-Miss Mic tem toda a razão! Quer saber, miss Maire? É exatamente o que vou fazer!
Empolgado, Sniper correu até a porta. Já ia abri-la quando ouviu a voz de Maire a chamá-lo:
-Ah, e só pra dizer o que eu ia sugerir: compre uma lingerie bem bonita e leve pra ela. Sempre dá certo com a Mic. – Ela piscou um dos olhos.
Sniper vibrou, animado com a sugestão:
-Essa foi a melhor idéia de todas, miss Maire! Thank you! ^_^
E ele saiu, apressado. Assim que a porta se fechou, Maire deu meia-volta para ir à cozinha e se deparou com Micaela, olhando-a com uma expressão de poucos amigos.
-Então, sempre dá certo comigo? ¬¬
Maire apenas riu.

*****
Dias depois...
Sentada num degrau, Shermmie deixou seus pés descalços se enterrarem na areia branca da praia. O vento forte aos poucos soltava sua trança, mas ela não se incomodava com isso. Não se incomodava com absolutamente nada. Mantinha os olhos fixos no mar e a mente solta, vagando por lugares e recordações.
Parecia mentira que, até pouco tempo, ela se sentia absolutamente feliz. Agora, tentava voltar a se acostumar com a idéia de ficar sozinha novamente. Sniper dissera que seria capaz de fazer tudo por ela... Mas sequer conseguiu entender que ela precisaria se ausentar por algumas semanas para visitar a mãe doente. Ele era um egoísta, como todos os outros homens.
De repente, sentiu o cano de uma arma encostar-se ao seu braço, mas não ligou para isso.
-Enfim, de volta ao lar... – Foi o único comentário que sua mente fez, diante da situação.
-Passa a grana! – Gritou o assaltante, impaciente.
Sem discutir, Shermmie pegou as poucas notas amassadas que estavam no bolso de trás da calça e entregou ao ladrão. Não satisfeito, ele exigiu mais:
-O celular, colega!
Bufando, Shermmie pegou o celular no outro bolso e esticou a mão para entregá-lo ao assaltante. No entanto, nesse momento, o aparelho tocou. Shermmie olhou de relance para o visor e reparou no prefixo do número piscando na tela: 44. Código da Inglaterra.
-HEIN? – Ela praticamente gritou, trazendo o celular para próximo ao rosto. Reconheceu o número que piscava no visor. - ...Sniper... – Sussurrou.
-Qual é, colega? – Irritou-se o ladrão, apertando o cano da arma no braço de Shermmie – Passa logo esse celular, senão eu te apago!
Irritando-se, Shermmie bateu fortemente com o cotovelo no estômago do bandido. Num rápido movimento, arrancou o revólver da mão dele e o apontou para o ladrão.
-Quer pagar pra ver quem vai apagar quem? Ò_ó – Ela gritou.
O meliante, por um momento, pôde jurar ter visto um leve brilho dourado na testa da garota. Mas não perderia tempo tentando entender se aquilo era ilusão ou realidade. Diante da ameaça, ele saiu correndo, deixando cair na areia o dinheiro que tinha acabado de roubar de Shermmie.
-Boçal! – Ela gritou para o homem que já ia longe. Tornou a olhar para o celular, que tinha parado de tocar – ...Droga. ...Devo retornar a ligação?
Ela buscou pela última chamada perdida na memória do aparelho. Fixou o dedo sobre a tecla de discagem, pensando se deveria ou não fazer aquilo. Num surto de coragem, apertou a tecla e levou o aparelho ao ouvido. Esperou seis toques, até ser atendida.
-Hello? – Disse, alegremente, a voz masculina do outro lado da linha.
Shermmie ainda respirou fundo, antes de começar a falar:
-É que... Eu recebi uma ligação desse número, e não sei de quem é.
Ela se amaldiçoou por ter feito aquela ligação, ao ouvir a risada de Sniper.
-Não sabe mesmo? Que coisa. Tem muitos amigos no Reino Unido?
-Na verdade, amigos eu não tenho nenhum. Tenho um conhecido, apenas.
-Um conhecido, é?
-É. O nome dele é Phill.
Foi a vez de Shermmie rir, interiormente, com a longa pausa que ocorreu do outro lado da linha.
-Tá, pára com isso! ¬¬’
-Posso saber por que me ligou? Que outra gracinha está planejando agora? Tá achando o quê? Que sou uma idiota com quem você pode ficar brincando? Pois saiba que não é assim. Estou cansada das suas atitudes e do seu egoísmo. Eu achei, realmente achei, que depois disso tudo você viesse atrás de mim para tentar se desculpar como um homem de verdade, mas agora sei que é esperar muito de você, não é?! Sinceramente, estou muito cansada de tudo isso. Além do mais...
Ela continuava a falar, ininterruptamente. Àquela altura, Sniper até mesmo se perguntou se não havia ligado para a pessoa errada. Mais parecia a Hikari falando! Ele riu e tirou o celular do ouvido, enquanto caminhava pela areia da praia até parar bem atrás daquela “louca” ao telefone. Uma louca linda, ele pensou. Os cabelos dela estavam quase totalmente soltos e Sniper passou rapidamente o dedo indicador pelo que restava da trança, desmanchando-a em menos de um segundo.
Shermmie calou-se quando sentiu aquilo. Não se perguntou se seria outro ladrão, um estranho qualquer implicando com ela, ou apenas um conhecido. De uma maneira muito estranha, naquele momento, teve certeza de quem estava ali. Apesar daquilo ser totalmente improvável, ela sabia que era ele. Sentiu seu sangue gelar e seu coração bater mais forte, enquanto se virava, lentamente, para ter a confirmação. Encontrou Sniper sorrindo diante dela.
-V... Vo... Você... – Ela gaguejou.
Ele mostrou o celular para ela:
-É melhor desligar a ligação, senão sua conta vai vir bem cara. Sabe como é interurbano, né?!
-É roam. – Ela respondeu, ainda atônita. – Quem vai pagar a diferença pelo interurbano é você.
-Ih, é?! O_o – Parecendo desesperado, ele desligou a ligação.
Shermmie piscou, ainda tentando se acostumar à situação. Sniper estava mesmo ali, na América do Sul, Brasil, Rio de Janeiro, praia de Copacabana? Ali, bem diante dela?
Colocando o celular no bolso, ele abanou a mão diante do rosto:
-Seu país é bem quente, né?!
-Estamos no inverno.
-Nem quero imaginar o que é verão para vocês.
-...O que está fazendo aqui?
Ele sorriu, do jeito que fazia o coração de Shermmie bater mais forte. Aquele jeito meio zombeteiro, meio conquistador, de quem está sempre seguro de si.
-Você não sabe mesmo?
-Nem é carnaval. – Ela respondeu, fazendo-se de desentendida – Não há nada de interessante aqui pra ‘gringo’ ver.
-E eu vim atrás de você.
Como se fosse possível, o coração dela acelerou ainda mais. Ainda sorrindo, ele explicou:
-Eu me odiei por ter deixado você ir embora daquele jeito. Então, eu entendi como estava sendo egoísta e decidi – Ele segurou a mão dela junto às suas – Se você não quiser ir para a Inglaterra comigo, eu fico no Brasil, com você.
Ela abaixou os olhos, fitando as mãos dele a apertar as suas.
-...Tem certeza?
-Certeza? Não, imagina! ...Eu vim pra outro país, cruzei o atlântico, torrei todas as minhas economias numa viagem, sem ter certeza de que era isso o que eu mais queria na vida!
Ela o empurrou lentamente, com a outra mão, que segurava algo.
-Idiota!
Sniper riu. Mas esse riso cessou quando viu o que estava na mão da jovem: um revólver.
-Segurança urbana? O.o
-Hein? O.o – Ela olhou para o revólver em sua mão e fez careta, jogando-o na areia – Arg, é do imbecil que tentou me assaltar.
Ele apanhou a arma no chão e a examinou. Então, encostou o cano na testa de Shermmie e puxou o gatilho. A brasileira cerrou os olhos, apavorada diante disso. Tornou a abri-los ao notar que nada acontecera e ouvir a risada de Sniper.
-É de brinquedo! – Ele explicou.
-Brinquedo?
-Não acredito que foi enganada com isso.
-Me parece bem parecida com uma verdadeira. ¬¬’
-Só para leigos!
-Eu SOU uma leiga em armas ¬¬’
-Tsc, tsc... Ainda tenho muito que te ensinar, garota!
-Idiota. – Ela repetiu, novamente encostando a mão ao peito dele, para empurrá-lo.
Porém, dessa vez, a mão parou ali e, ao invés de afastá-lo, ela conseguiu que ele se aproximasse e unisse os lábios dele aos seus, num beijo carregado de paixão e saudade.
Quando enfim se afastaram, ela perguntou com a voz baixa:
-Onde está hospedado?
-Num hotel aqui perto. Mas tô só esperando você me convidar pra ficar na sua casa e conhecer a sua família ^-^...Será que minha sogrinha vai gostar de mim? O.o
-Acho que sim. Ela gosta de qualquer coisa u.u... Anda, vamos logo buscar suas coisas.
Dito isso, ela saiu caminhando à frente dele.
-Demorô! ^_^ – Vibrou Sniper. Só então entendeu o que ela dissera – Como assim “qualquer coisa”? ¬¬’ – E correu até alcançá-la, passando a caminhar ao seu lado. – Estou certo de que ela vai me adorar. Eu sou o cara ^__^
-Sei, sei ¬¬. Vou ligar pra ela e avisar que estamos indo pra lá. Tenho certeza de que irá correndo preparar um “bolo especial” para te receber.
-Faça isso ^_^. Mas não precisa ser agora porque vamos demorar um pouquinho. Tenho um presente especial para te dar ^___^
-Não é mais flores com recibo, né?! ¬¬
-Claro que não u.u... É algo muito melhor >D Comprei especialmente pra você.
-Tudo bem. Mas saiba que, dependendo do que for, você poderá dormir no quarto que era do Mau, ou na casinha do cachorro.
-Que tal no seu quarto? ^_^
-Fora de cogitação ¬¬... E acho bom seu presente ser de bom gosto u.u
-Será, dear! Será! ^-^
Ele a beijou novamente e eles seguiram em direção ao hotel.
Naquela noite e nas demais que sucederam sua estadia no Brasil, Sniper dormiu ao relento, encolhido na pequena casinha de cachorro que havia no quintal da casa.

2 comentários:

Moisés A.B. de Oliveira disse...

uhahuaauhauhuhahuahaa...ahuahuahauhuhua
Tadinho do sniper...essa foi do mal com ele. Ele sofre na mão da Shermmie e da Autora.
A shermmie não gostou do presente, não é?
Amei esse extra.

Leo no Nina disse...

Tenho medo da lingerie escolhida pelo Sniper uhahuahuuah. Para merecer a casinha do cachorro... se bem que para Shermmie, qualquer coisa que ele fizesse seria motivo pra ir pra casinha do cachorro. Menina má uhahuauhhua.
Mas eu ainda tenho a leve impressão que ela gostou do presente sim XD.
Adorei o extra!! Aliás, esse casal é perfeito. Sempre rende boas risadas.
Beijinhos
Nina